Saiba quem foi Mário Quintana
 

"As únicas coisas eternas são as nuvens" (Mário Quintana)

MÁRIO (de Miranda) QUINTANA nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, no dia 30 de julho de 1906. Seus primeiros versos foram publicados na revista literária do Colégio Militar, em Porto Alegre, onde estudava. Em 1926, passou a trabalhar na Livraria do Globo, na seção de literatura estrangeira, onde Érico Veríssimo era diretor. Depois ingressou no jornal "O Estado do Rio Grande do Sul".

Seu primeiro livro de poemas foi lançado em 1940, A rua dos Cataventos. Depois lançou Canções (1945), Sapato Florido (1947), Espelho Mágico (1948) e O Aprendiz de Feiticeiro (1950). Em 1962 todas essas obras foram reunidas em um único volume chamado Poesias. Trabalhou no jornal Correio do Povo, a partir de 1953, onde publicou poemas na coluna Caderno H, durante quatro décadas.

Mário Quintana não se enquadrava em nenhuma escola literária, pois não queria seguir o rigor formal. Sua linguagem é considerada simples, coloquial e bem cuidada sobre os temas do cotidiano, da infância, da morte, do amor e do tempo. Seus versos fluem com uma simplicidade aparentemente ingênua e uma espontaneidade incomum, como se brotassem da própria respiração. Dessa condição surge o tom de quem fala diretamente aos ouvidos do leitor, em voz baixa, sussurrante, num intimismo que é a um só tempo confidência e ensinamento ou lenitivo para as agruras existenciais.

Traços de surrealismo completam o retrato desse romântico tardio ou moderno, que não virou as costas à tradição, nem se fez de surdo às vozes interiores. Esse poeta ultra-sensível se tornaria uma das expressões mais límpidas da poesia lírica brasileira da segunda metade do século XX, destacando-se as reflexões sobre o bem e o mal sob a forma de Deus, anjos e do diabo.

Em 1980, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. O escritor morreu em Porto Alegre, em maio de 1994, aos 88 anos.

Canção da Janela Aberta

Passa nuvem, passa estrela,
Passa a lua na janela...

Sem mais cuidados na terra
Preguei meus olhos no Céu.

E o meu quarto, pela morte
Imensa e triste, navega...

Deito-me ao fundo do barco,
Sobos silêncios do Céu.

Adeus Cidade Maldita
Que lá se vai o teu poeta.

Adeus para sempre, Amigos...
Vou sepultar-me no Céu!